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Tim Burton e o expressionismo alemão

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Gabriel Neves

2021-02-05 08:31:25

Por Marina Passos

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Tim Burton

Poucos diretores possuem um estilo tão único e facilmente reconhecível como Tim Burton. Cenários cheios de formas distorcidas, personagens excêntricos e uma atmosfera sombria são algumas partes essenciais da estética que formam os componentes básicos de um visual “burtoniano”. Porém, para criar uma forma singular de contar histórias, muitos diretores bebem de diversas fontes diferentes. No caso de Burton, é possível retornar ao expressionismo alemão para encontrar os elementos de sua inspiração.  

O expressionismo alemão foi um movimento surgido durante um período de grande produção criativa, tanto da classe artística quanto intelectual, que ocorreu logo após a Alemanha ter perdido a Primeira Grande Guerra. O estilo, que também se manifestou na literatura e nas artes visuais, tinha como uma de suas características a reflexão sobre os conflitos internos do povo alemão da década de 1920. Rejeitando o realismo, os cineastas expressionistas usavam de distorção visual e performances dramáticas para representar a condição humana: as turbulências pessoais, os medos e os desejos da época. O movimento desafiou radicalmente a produção cinematográfica convencional e até os dias de hoje é uma fonte de inspiração para a indústria.

De acordo com o blog Mannalist alguns dos recursos estéticos e técnicos que caracterizaram o movimento no cinema, e podem ser identificados na obra de Burton, são as tomadas de ângulos não convencionais, perceptivas deformadas, pantomimas exageradas, maquiagens carregadas e iluminação, usada de forma a dar contraste às sombras que representavam o lado sombrio da alma humana. Esses elementos podem ser encontrados nos clássicos O Gabinete do dr. Caligari (1920), Nosferatu (1922) e Metropolis (1927).

Tim burton e o expressionismo alemão
Cena de Edward Mãos de Tesoura (imagem: reprodução)

Em Edward Mãos de Tesoura (1990), o tema expressionista é explorado visualmente por meio da justaposição do subúrbio colorido com o castelo gótico de Edward. Em O Estranho Mundo de Jack (1993) colinas sinuosas e onduladas aparecem próximas ao cemitério, com edifícios inclinados e outras características arquitetônicas distorcidas que remetem diretamente a’O Gabinete do dr. Caligari, só para ficar em alguns exemplos.

Tim burton e o expressionismo alemão
Batman (1989) (imagem: reprodução)

Tim Burton afirmou o seguinte sobre suas influências cinematográficas:

“Eu tento não recorrer muito a esses tipos de influências, porque então você está apenas tentando emular algo em vez de criar algo novo… Eu gostaria de captar um certo sentimento de um filme antigo, mas não estou tentando fazer uma cópia xerox dele”

O estilo visual de Tim Burton é único e eclético, mas cenografia, elementos góticos e a maneira como ele brinca com a luz e a sombra demonstram quais são as influências do diretor. Seja em Beetlejuice, Batman, Sweeney Todd, Marte Ataca!, Sombras da Noite ou Noiva Cadáver, a ênfase ao macabro e ao sombrio também é uma temática sobre a qual os diretores expressionistas alemães se debruçavam.

A maioria dos filmes tem elementos da vida do próprio diretor em suas explorações de temas como isolamento e singularidade. Burton, em muitas entrevistas, afirmou que durante a sua infância se sentia isolado e diferente das outras crianças. Acabou encontrando conforto nos livros de Edgar Allan Poe e no cinema, especialmente nos filmes B de terror e ficção científica. Os atores Vincent Price e Bela Lugosi eram seus heróis. Tim Burton não sentia medo de personagens como Frankenstein, mas empatia, pois o considerava incompreendido e atacado por outros apenas por ser diferente.

“Não sei por que, mas sempre me identifiquei com personagens como Frankenstein. Acho que muitas crianças fazem isso. É mais fácil se identificar com o monstro no sentido de que ele está sozinho, e a forma como me sentia pelos vizinhos era como se eles fossem os aldeões furiosos”.

Vale destacar, que além de Tim Burton, outros cineastas importantes também foram influenciados pelo movimento expressionista, como, por exemplo O labirinto do Fauno (2006) de Guillermo del Toro, O corvo (1994) de Alex Provas, Blade Runner (1982) de Ridley Scott  e Um Corpo que Cai (1958) de Alfred Hitchcock.

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