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O Gambito da Rainha | Análise

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Lançada em 23 de outubro, O Gambito da Rainha logo se tornou a minissérie mais popular de toda a história da Netflix. 62 milhões de contas da plataforma de streaming deram play na história sobre a jovem órfã prodígio no xadrez.

A série já é considerada uma das melhores e mais bem-sucedidas adaptações para a tela do jogo de tabuleiro – uma pequena lista que inclui os filmes de 2016 “Rainha de Katwe” e “Lances inocentes”, de 1993. De acordo com o blog da Netflix, o livro que inspirou a série agora se encontra na lista de best-sellers do The New York Times — 37 anos depois do seu lançamento — e as pesquisas no google por xadrez dobraram, além do salto de interesse no Campeonato Mundial de Xadrez que acontecerá no ano que vem.

Todo esse sucesso não é injustificável. Afinal, Scott Frank, que escreveu e dirigiu a série em parceria com Allan Scott, conseguiu de forma magistral capturar e dramatizar a alta tensão dos torneios de xadrez e a obsessão às vezes total que o jogo pode inspirar. A talentosa equipe de produção também não deixou por menos. Por trás das partidas empolgantes de xadrez estão os outros componentes tão dignos de atenção quanto: a direção de arte, com os quartos de hotel lindamente decorados, a trilha sonora de suspense e as icônicas roupas no estilo dos anos 60 que a protagonista Beth Harmon usa.

O Gambito da Rainha é baseado no romance de 1983 de Walter Tevis, ambientado nos anos 1960. Os direitos do romance foram adquiridos há quase trinta anos, na intenção de levar a história para o cinema como um longa-metragem. Originalmente, era Heath Ledger que estava cotado para dirigi-lo, junto de Ellen Page no papel de Beth Harmon. Após a morte do ator, contudo, o projeto ficou inativo por anos. Foi Scott Frank quem viu o potencial de transformar o romance em uma minissérie.

Crises, vícios e vitórias

A história de O Gambito da Rainha é sobre Beth Harmon (Anya Taylor-Joy), uma jovem que ficou órfã aos nove anos após sua mãe falecer em um acidente de carro. No orfanato, ela conhece desaforada Jolene (Moses Ingram), que virá a se tornar sua amiga e confidente, e o recluso zelador, Sr. Shaibel (Bill Camp), que a apresenta ao tabuleiro.

O Sr. Shaibel não demora para perceber a aptidão extraordinária de Beth para o xadrez e a ensina as regras do jogo. Ela se vê cativada, sonhando com ele à noite e impaciente durante o dia para uma nova partida. Shaibel a apresenta a um clube de xadrez de uma escola local no qual ela é revelada como uma criança prodígio, competindo contra todos os membros do clube simultaneamente.

O gambito da rainha | análise
Beth Harmon (Anya Taylor-Joy) e Jolene (Moses Ingram)

No meio de tudo isso, Beth é adotada. Sua mãe adotiva, Alma Wheatley (Marielle Heller) a princípio reticente, logo passa a apoiar a filha, quando descobre que é possível ganhar uma boa quantia em dinheiro com os prêmios dos torneios.

A série também faz comentários sobre questões de gêneros. Beth, mesmo imbatível, está adentrando num mundo dominado por homens. Somente uma jogadora de xadrez contra os quais ela compete é uma mulher, em seu primeiro campeonato. E após uma longa entrevista que ela dá para a revista de xadrez, o artigo escrito só parece interessado em destacar o fato dela ser uma mulher.

O significado da genialidade

Em O Gambito da Rainha, só talento não é suficiente. Afinal, ninguém nasce magicamente com um dom para alguma coisa. Obsessão, trabalho árduo e oportunidade são dados ênfases como a chave para o sucesso e, portanto, para ser verdadeiramente reconhecido como um gênio.

O gambito da rainha | análise
(IMAGEM: REPRODUÇÃO)

A obsessão é retratada em uma linha tênue com o vício. Beth aprendeu a amar tranquilizantes desde quando vivia no orfanato e, na vida adulta, também a passou a beber muito. A série demonstra que os tranquilizantes fornecem um meio para ela se concentrar, mas os comprimidos e o álcool logo se tornam excessivos e criam o efeito oposto.

O xadrez pode ser interpretado como um mecanismo de defesa, uma válvula de escape. Detalhes sobre sua problemática mãe biológica são gradativamente reveladas ao longo da história e Beth perde também sua mãe adotiva. Para lidar com o sentimento de solidão e o evento traumático, a jovem fica cada vez mais submersa no jogo.

O xadrez lhe fornece foco. Então, ao invés de processar tudo o que vem ocorrendo, ela toma tranquilizantes e sonha com o jogo. Como Beth disse a si mesma em determinado momento, o tabuleiro de xadrez é o único lugar onde ela se sente no controle e, se alguma coisa der errado, ela só poderá culpar a si mesma. A vida, por outro lado, é incontrolável.

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